quarta-feira, 6 de abril de 2016





  O ócio na      infância

      Meus oito anos

(...)Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !


Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Casimiro de Abreu

Neste poema de Casimiro de Abreu, podemos perceber como a infância se torna um tempo nostálgico na vida dos adultos. Muitas são as pessoas que lembram deste período cheio momentos livres e espontâneos, e falam inclusive que quando crianças,  não sabiam como eram felizes. Vida despreocupada, sorriso no rosto, brincadeiras inventadas, fruta do pé, soltar pipa na rua, brincar com vizinhos da mesma idade.
Apesar dessas experiências, as crianças, também passam por situações e momentos difíceis na vida, isso não é exclusivo do adulto, mas mesmo vivenciando todos e quaisquer problemas, a criança encontra refúgio em seus momentos de brincadeira.
Será que até hoje preservamos a liberdade de brincar das crianças?Basta observarmos as famílias ao nosso redor para vermos a quantidade de atividades que uma criança faz/participa. Preencheram todos os horários livres com escola, cursos de línguas, diferentes modalidades esportivas. A criança que no passado estava correndo pelas árvores atrás de borboletas, hoje se encontra no trânsito correndo para chegar a tempo de mais uma aula que será importante para sua vida.
Para que a brincadeira aconteça, é preciso tempo para construí-la, tempo para permitir que a criatividade possa fluir e a criança reinventar histórias. Se a criança está cansada e sobrecarregada, não tem estímulo e vontade de brincar. É claro que estudo e esporte tem muita importância para criança, mas questiono se é preciso colocar tantas atividades na vida delas. Será que os futuros adultos vão carregar essas boas lembranças que nossos pais, avós e até nós mesmos carregamos conosco? A criança tem direito de brincar, de ser livre, direito a preguiça, ao lazer, direito de dormir a tarde após a aula, de tomar banho de mangueira no dia de calor, sem ter que esperar o dia certo do final de semana. 
É claro que a criança precisa ter suas responsabilidades, mas é preciso ter sua dose de tempo livre antes de estar exausta. A infância passa tão rápido para que deixemos de olhar para esse período da maneira poética que o autor nos traz nessa bela escrita. 





Um comentário:

  1. Concordo, Camila. A infância é um tempo curto demais, passa muito rápido!! A criança cresce rapidamente e não curte o que deveria curtir por conta da sobrecarga de atividades que lhe são destinadas. É preciso que a sociedade, principalmente no que toca à família e à escola, compreenda que o ócio também é um momento importante para a formação da criança: é nele que a criatividade aflora, que temos tempo para sentir o mundo e é através desse contato, dessas interações que fazemos com a realidade que nos cerca e com nossos pares que podemos refletir e construir nossa identidade. Muitas vezes as crianças vivem como "mini-adultos", não tendo tempo para brincar, para descansar, para o lazer, para sonhar. O conteúdos regulares na escola, os cursos em paralelo, os esportes são importantíssimos na vida da criança, mas o tempo destinado ao lazer, ao ócio criativo não pode ser esquecido. É recomendável a atenção permanente de pais e professores para esse fato, pois isso pode afetar o futuro das crianças!!

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